/-----!---Princípio do bloco - comentários sidebar ---!-----/ /-----!---Fim do bloco - comentários sidebar ---!-----/

Eu parva...

Bem sei que eras de outra e eu não era senão uma segunda, mas que diabo era escusado tanta festinha, tanto sorrisinho, tanta ternura. Sim, ternura que eu vi, se pensas que não vi. Eu bem vos vi aos dois pombinhos, juntinhos, agarradinhos de mãozinhas dadas a encostarem-se cabeças enquanto na voltinha das montras. Sim, ternura. As montras cheias de ternura que tu lhe compravas aos sacos e eu aqui, domingo inteiro sozinha. Eu para aqui segunda, eu a outra, a que só queres de noite, a que te dá o que essa te não dá. Ternuras. Eu aqui em segundo lugar. E tu a dizeres-me que era para o mês que vem, que agora não que a mãe dela doente. Carinho. Que agora não que o cão morreu, que agora não que é ela quem está muito doente, que era no fim do ano. Ternura. Que no fim do ano, que a doença a levava, que agora não coitada, tão doente. E eu parva a julgar-me a primeira, eu parva a ter-lhe pena. Eu parva a perguntar-te até se uma sopa, se um caldo, uma canjinha se tu quisesses, que eu fazia. Coitada, ainda tão nova. Os médicos a emprestarem-lhe uns meses apenas. Coitada. Coitada mas é de mim a imaginar-me no fogo de artifício da Madeira, já este ano, no fim do ano, parva. Eu parva que tu só me queres para isso, sim para isso mesmo. Uma parva. Não, não me calo isso querias tu, que eu me calasse. Parva. Não me calo não senhora e nem a merda do soutien aprendeste ainda a tirar! 'Tá quieto parvo, larga! Vês como é, é assim meu parvo!

Google