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Encontro

- Tu não és o…?
- Sou.
- Ehh, já lá vão quê, vinte anos?
- Por aí.
- Estás na mesma.
- Tu também. Continuas muito bonita.
- Ora…- A sério!
- Não me faças corar.
- Bonita mesmo. Então e diz-me, casaste? Tens filhos e assim?
- Sim… assim crescidos…
Olha, está um dia óptimo, porque não vamos almoçar ao parque? Está bom tempo, passeávamos um bocadinho, púnhamos a escrita em dia, já lá vão tantos anos, que me dizes?
- Parece-me uma excelente ideia…

- Mas se achavas que eu era assim tão bonita porque nunca me disseste?
- Então, nunca te disse porque pensava que não quererias saber de mim…
- Não queria saber de ti?!... Eu!?... Eu era completa, absolutamente apanhada por ti! Mas completamente, sabes?
Olha, ainda guardo um caderno em que só escrevi os nossos nomes. Repeti-os milhares de vezes, Francisco, Maria, Francisco, Maria, Francisco, Ma …
- Francisco!?...
- Sim. Francisco!
- … Mas eu sou António!
- És António!?... Mas que António?!... Tu não és o Francisco, o Francisco Aguiar!?...
- Não. Eu sou o António! António Fernandes…
- Ahh!…
António Fernandes!?...
- Sim, o António, aquele amigo do Francisco…
- Ehh… Desculpa, mas não estou a ver…
- Então e o nosso almoço, o passeio no parque?
- Talvez noutra altura António, eu também não tinha lá muito tempo…
- Maria... Olha para mim. Eu sou o Francisco. Estava só a brincar!
- Ok, ok, Mas eu não estava a brincar, quando disse que não tinha tempo…
- Não percebeste. Maria, o António não existe, o António nunca existiu. Só eu, o Francisco! Estava a brincar. Foi uma brincadeira parva!
- … Francisco!?...
- Mas claro, quem haveria de ser? Quem haveria de ser.

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